Relato emocionante de um Fiscal de Rendas

Depoimento demonstra a perplexidade de um AFR diante dos fatos

O orgulho da carreira é sua força motriz para seguir com disposição todos os dias o caminho do trabalho, focado, dedicado e comprometido em entregar o seu melhor à sociedade, afinal você estudou muito e dedicou horas e mais horas para vencer um dos concursos mais difíceis do país, abrindo mão dos momentos de lazer com a família e os amigos por um longo período.

Não tem problema, o esforço compensou. O orgulho é maior. Você chegou lá! Tornou-se Fiscal de Rendas do Estado de São Paulo e isso dá alegria e felicidade de sobra.

Você se identificou com esse relato, é a sua realidade? Infelizmente não deve ser. Diferente do orgulho, o que os AFRs sentem hoje é perplexidade diante de tanta desvalorização e falta de respeito.

Compartilhamos abaixo um relato verdadeiro, encaminhado recentemente por um colega ao Sinafresp. É profundo e mostra a nossa dura e crua realidade.

Caros,

Segue meu relato pessoal, não com o fim de simplesmente reclamar da vida, mas com o intuito de compartilhar os impactos que o descaso e a falta de respeito dos nossos empregadores estão causando ao meu cotidiano e ao da minha família.

Ingressei na turma de 2013 e não é segredo para ninguém a minha remuneração: R$ 9.800 por mês. Tenho três filhos e sou o único provedor familiar. Morando em São Paulo as coisas estão chegando a um ponto realmente insustentável. Trago comida ao trabalho todos os dias para poder utilizar o vale-refeição nas compras do mês. Tudo bem, dá para fazer. Cortei a diarista, temos mais trabalho em casa, mas a gente aguenta. Agora começaram os cortes “na carne”, aqueles que a gente sente mais.

A partir deste mês meus filhos estão sem plano de saúde, já que a mensalidade de R$ 1.100 não cabe mais no orçamento de jeito nenhum. É SUS e coragem, nem IAMSPE nós temos, pois pedi o desligamento assim que ingressei na carreira. Eu sequer imaginava que chegaríamos a este ponto!

Sigo com o pedido de bolsa de estudos para que eles possam continuar a estudar na escola que adoram. Dependendo da resposta outros cortes duros virão.

Estou perplexo com tanta falta de respeito. Sinto não ter para onde correr. Outro concurso a esta altura do campeonato, eu formado em Odontologia com 48 anos de idade…

Estou perplexo com o descaso com a carreira, com o descaso com as pessoas, com os colegas que não movem uma agulha contra o desrespeito, com nossos gestores que se movem algo parece que movem contra nós.

Perplexo. É assim que estou.