Sinafresp debate estratégias para aumento da influência política da categoria

Em reunião da Comissão de Participação Política da Fenafisco, dirigentes sindicais conversaram sobre novo planejamento estratégico e ações desenvolvidas

No dia 2 de julho, o tesoureiro do Sinafresp, Guilherme Jacob, participou da reunião da Comissão de Participação Política da Fenafisco, juntamente com dirigentes de outros sindicatos que compõem a federação: Francisco de Assis, do Sindifiscal-MS; Marco Couto, Alípio Pereira da Silva e Maria de Fátima Rosa da Silva, do Sindifisco MG; Antônio Catete, do Sindifisco PA; Carlos Roberto de Fontes Pereira, do Sindifern (RN); Rogério Macanhão, do Sindifisco-SC; Manoel Isidro, do Sindifisco-PB; Divaldo Barão, do Sindifiscal-TO.

Rogério Macanhão, que também é diretor de assuntos parlamentares e relações institucionais da Fenafisco, presidiu a reunião e apresentou um histórico do trabalho da comissão, que se iniciou em 2009, a partir da produção de um planejamento estratégico para participação política produzido pela Strategos, empresa de consultoria política originada na UNB.

Esse planejamento teve como seguintes objetivos nivelar conhecimento, melhorar a coesão interna das categorias e estreitar laços entre os sindicatos. E para atingi-los, foram traçadas três linhas de ação: 1) trabalhar forte dentro da categoria; 2) trabalhar a sociedade e 3) trabalhar as instituições políticas.

Macanhão explicou ainda que, entre as diretrizes do planejamento, ter um representante (parlamentar fiscal) é apenas um subitem dentro de um grande espectro de ações necessárias nessa área.

Por fim, o diretor da Fenafisco destacou a importância de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados, tendo em vista que 169 dos 513 deputados são apenas desses estados. 

Cada participante apresentou ideias e sugestões, sendo as principais:

Mato Grosso do Sul

  • Atualmente, estão fazendo campanha abordando o trabalho do auditor de levar recursos para as áreas de interesse público (saúde, educação, segurança) em 50 outdoors espalhados pelo estado. Esse trabalho teve um efeito positivo junto à classe política.
  • Está tendo um grande sucesso no contato com a base e a sociedade através do Instagram.
  • Está ajudando prefeituras a executar emendas (em muitos casos elas não têm competência técnica para realizar tal tarefa e acabam perdendo as emendas).

Minas Gerais

  • Opinou que os bons deputados estão tendo muita dificuldade para se eleger.
  • Questionam: Todo auditor sabe que a carreira é típica de Estado?
  • Trabalhar a ideia de fiscalização não como multas, mas como a execução das despesas (saúde, educação, etc.).
  • Os fiscais devem ocupar todos os espaços que forem possíveis.
  • Eles produziram uma campanha positiva que custou R$ 1 milhão, mas fizeram a observação de ser algo que se esvai com o tempo.
  • No momento estão patrocinando o jornal da rádio de maior audiência do estado para inserções pontuais (spots) de pontos positivos da carreira em sua programação, com custo muito menor, porém de forma perene.
  • Em parceria com a administração, os spots veiculam dados concretos de arrecadação.

Paraíba

  • Fenafisco se especializou no trabalho dentro do Congresso Nacional.
  • Trabalho para representação efetiva no Congresso Nacional.
  • Auditores se elegeram com apoio dos colegas e muitas vezes se posicionavam contra a categoria.
  • Os auditores constituem cabos eleitorais extremamente qualificados e podem auxiliar muito nas campanhas políticas.

Pará

  • Muitos colegas estão se especializando em políticas públicas para ocuparem espaços e poderem influenciar nas decisões políticas.
  • Citou que, no Ceará, os auditores perceberam que não conseguiriam dominar o Estado na parte política, mas que teriam condições de dominar pela técnica. Assim, também começaram a se especializar em políticas públicas e estão tendo bastante influência naquele estado.
  • Igrejas evangélicas possuem plano de metas de quantidades de parlamentares e cada vez mais ganham espaço no Congresso Nacional.
  • Salientou que se houvesse apenas um auditor fiscal para cada estado na Câmara dos Deputados, estaríamos extremamente bem representados.

Rio Grande do Norte

  • Destacou que a participação política não precisa necessariamente ser com o financiamento de campanhas.
  • O estado tem uma população muito pequena e então muitos auditores têm ligações diretas com os políticos.
  • Trabalham em parcerias com outras entidades públicas (Judiciário, Ministério Público, etc.).
  • Fizeram um seminário com os candidatos a governador e muitos candidatos a deputados.
  • Fazem seminários com outras instituições.
  • A boa remuneração acaba por atrapalhar a mobilização dos colegas.

São Paulo

  • A exposição foi dividida em três partes: nossa experiência passada, o que estamos fazendo no presente e quais são nossas ideias para o futuro.

Experiência

  • Expusemos nossa experiência de trabalho de incentivo à participação política pelos fiscais nas últimas eleições, destacando os pontos fortes e também os fracos que sentimos.

Momento presente

  • Fomos ouvidos atentamente quando expusemos que percebemos (infelizmente, apenas após as eleições) que na última eleição o eixo de votos mudou consideravelmente do plano das campanhas eleitorais tradicionais de TV/panfletagem/cabos eleitorais para a internet. Nesse sentido, já estamos trabalhando com influenciadores digitais para que veiculem mensagens de promoção do serviço público e do trabalho da fiscalização, bem como o combate ao neoliberalismo desenfreado que muitas vezes propõe a existência de uma sociedade sem Fisco e até mesmo sem Estado.

Ideias para o futuro 

  • Levamos para a comissão a ideia de incentivarmos o máximo possível de auditores fiscais a se candidatarem nas eleições majoritárias nas próximas eleições municipais de 2020, ainda que sem grandes perspectivas de serem eleitos, pois dessa forma vão adquirindo visibilidade e terão mais chances de serem eleitos nas eleições proporcionais de 2022.
  • Destacamos também que acreditamos que a maior força política está no poder Executivo, e que temos que focar também nessa frente. Lembramos que os fiscais têm uma força de trabalho aliada a uma enorme qualidade técnica e que, com isso, têm grandes condições de influenciar as eleições majoritárias em seus estados e municípios. 

Tocantins

  • Destacou que a participação política não se trata apenas de ser candidato ou doar para algum candidato.
  • Enfatizou a importância de ocupar as secretarias.

Após as discussões foram definidos os seguintes encaminhamentos:

  • Reconstrução do planejamento estratégico.
  • Os dirigentes devem levar o debate para cada um dos sindicatos.
  • Reunião com Carlos Eduardo, profissional responsável pela elaboração do planejamento estratégico em 2009 e que agora tem carreira na área.
  • Criação de um grupo de WhatsApp com os membros da comissão para discussão dos trabalhos.